Múltiplos
Por que logística no meio de mercado paga 6x e no topo 9x
A diferença não está no crescimento nem na margem. Está em três itens de contrato que quase nunca aparecem no teaser.

A dispersão de múltiplos em logística é a maior entre os setores que cobrimos, e a explicação usual — escala — só responde por parte dela. Comparando 38 transações desde 2023, empresas com crescimento e margem parecidos fecharam entre 5,1x e 9,4x EV/EBITDA. O que separa os extremos é a qualidade contratual da receita.
Os três itens que movem o preço
- —Prazo remanescente médio dos contratos âncora. Acima de 36 meses, o comprador financia mais e desconta menos.
- —Cláusula de reajuste atrelada a índice, não a negociação anual. É o item que mais aparece nos laudos de diligência comercial.
- —Propriedade da malha. Frota e centros próprios sustentam alavancagem; operação 100% terceirizada transfere o múltiplo para o parceiro.
Um operador com 70 por cento de receita contratada e reajuste indexado negocia em outra faixa — não porque cresce mais, mas porque o comprador consegue estruturar dívida contra aquele fluxo. Valuation em logística é, na prática, uma conversa sobre financiabilidade.
O erro recorrente do vendedor é apresentar receita agregada e crescimento agregado. Quem abre a carteira por contrato, prazo e cláusula de reajuste já no one-pager chega à mesa com o múltiplo defendido antes da primeira reunião de diligência.



